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Home > INSTITUIÇÃO > HISTÓRIA > Lenda de Nossa Senhora da Nazaré

Lenda de Nossa Senhora da Nazaré

O culto a Maria, mãe de Jesus, desenvolveu-se desde os primeiros séculos do Cristianismo e, permanece até aos dias de hoje como um dos mais importantes para os católicos de todo o Mundo. A zona dos antigos coutos de Alcobaça, onde a Nazaré se inclui, não é excepção. Desde tempos imemoriais que o culto mariano possui nesta região grande devoção e afecto popular, afirmando-se especialmente o culto à Nossa Senhora da Nazaré como um dos mais antigos (pelo menos desde o século XIV) e relevantes, chegando mesmo a ultrapassar a mera esfera de influência regional.

A Lenda de Nossa Senhora da Nazaré e a História do Milagre a Dom Fuas Roupinho estão, desde há muito, presentes no imaginário colectivo do povo português. Para a sua divulgação em muito contribuiu a obra do cisterciense Frei Bernardo de Brito, que na sua Monarquia Lusitânia associa o culto medieval à Senhora da Nazaré com o milagre ao cavaleiro D. Fuas Roupinho.

Assim, e segundo a narrativa do monge cisterciense que rapidamente se instalou na memória de todos, a Imagem da Virgem é proveniente de Nazaré da Galileia, esculpida em madeira pelo próprio São José e pintada por São Lucas.

No século IV a Imagem encontrava-se na posse do monge grego Ciríaco que a colocou sob a protecção de São Jerónimo, sendo posteriormente aconselhado por este a levá-la para África, para a entregar a Santo Agostinho, bispo de Hipona.

Foi Santo Agostinho quem trouxe a Venerável Imagem para a Península Ibérica oferecendo-a ao Mosteiro de Cauliniana, situado na região de Mérida, Espanha, realizando aí muitos milagres. A Virgem de Nazaré permaneceu no dito Mosteiro até ao século VIII, aquando da conquista da Península pelos Mouros. 

 

 

Após a derrota dos exércitos cristãos na Batalha de Guadalete, o último rei dos Godos, Dom Rodrigo refugiou-se no Mosteiro de Cauliniana, fugindo depois, conjuntamente com o Frei Romano às invasões árabes, levando com eles a Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Nazaré e um cofre com as relíquias de São Brás e São Bartolomeu.

 

 

Dirigindo-se sempre para Ocidente, os dois fugitivos chegaram finalmente, no dia 22 de Novembro, ao local que é hoje a Pederneira. Daí avistaram uma ermida abandonada no monte de São Brás, para onde se encaminharam em seguida. Quando lá chegaram El-Rei Dom Rodrigo manifestou vontade de ali permanecer sozinho, pelo que se dirigiu então Frei Romano para o Sítio, levando consigo a Imagem da Virgem e o cofre com as relíquias. Ao chegar ao promontório colocou a Imagem e o cofre numa reentrância da rocha.

 

 

Quando se separaram os dois companheiros combinaram que apenas quebrariam o seu isolamento ao acenderem, cada qual em seu monte e no fim de todas as tardes, uma fogueira, dando sinal um ao outro de que estavam vivos. Isto aconteceu até ao dia em que Dom Rodrigo não avistou o sinal de Frei Romano. Dom Rodrigo dirigiu-se então ao Sitio onde encontrou o seu amigo já morto. O Rei deu então sepultura ao corpo junto à gruta onde estava a Imagem da Senhora da Nazaré e partiu…

A Imagem permaneceu naquele local até ser encontrada, já no tempo do Rei Dom Afonso Henriques, pelo Capitão de Porto de Mós, Dom Fuas Roupinho, quando este se encontrava no local durante uma caçada. Passando posteriormente a venerar a Imagem da Virgem sempre que andava por aquelas bandas.

No dia 14 de Setembro de 1182, num dia de nevoeiro, durante mais uma caçada, Dom Fuas arremessou o seu cavalo na direcção de um veado. Cego pela névoa, perseguiu o veado até à última ponta do penedo, só então se apercebendo que o animal tinha caído no abismo, e que ele próprio estava no extremo da rocha. É neste momento que o cavaleiro se lembra da Imagem de Nossa Senhora escondida ali perto, invocando o seu auxílio para se salvar. De imediato o cavalo para, ficando apenas com as patas traseiras apoiadas no rochedo, permitindo assim que Dom Fuas se salva-se da morte certa.

Após o Milagre, o Cavaleiro foi a gruta onde estava a Imagem para agradecer e orar à sua protectora, fazendo-lhe também a promessa de erigir naquele mesmo local uma capela em sua honra, a Ermida da Memória.

 

 

    

 

 

 

 

 

 

 


[1] Bibliografia utilizada para a feitura deste texto:

ALÃO, Manuel de Brito, Antiguidade da Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Nazaré, edição de Pedro Penteado, Lisboa: Edições Colibri/ Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, 2001.

BOGA, Padre Mendes, D. Fuas Roupinho e o Santuário da Nazaré, Porto: 1985.

                BRITO, Frei Bernardo de, Monarquia Lusitânia, Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1975, Parte Segunda, fls. 272 a 279v.

PENTEADO, Pedro, “A Vida Religiosa nos Coutos de Alcobaça nos Séculos XVI a XVIII”, in. Arte Sacra nos Antigos Coutos de Alcobaça, Alcobaça: IPPAR, 1995, pp. 169 a 199.

                PENTEADO, Pedro, Peregrinos da Memória. O Santuário de Nossa Senhora de Nazaré 1600 – 1785, Lisboa: Centro de Estudos de História Religiosa da U.C.P., 1998.



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