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Santuário de Nossa Senhora da Nazaré

 

A construção do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré remonta ao século XIV, aquando da vinda de El-Rei Dom Fernando em peregrinação à Senhora da Nazaré. Este monarca, para além de ter mandado fazer obras na Ermida da Memória, decidiu, devido ao espaço diminuto que aquele templo apresentava para a quantidade de peregrinos que já nesta época afluíam ao Santuário, construir um novo edifício de culto que seria também a nova “casa” da Sagrada Imagem.

 

1. Pormenor de uma das telas da Capela-mor, mostrando o Santuário “primitivo”.

 

O novo templo foi posteriormente alvo de várias intervenções régias, que o foram sucessivamente alterando e aumentando. Dom João I mandou fazer uns alpendres em madeira. Dom João II remodelou a planta do templo, ampliando-a e construiu uma nova capela-mor. El-rei Dom Manuel I substitui os alpendres de madeira por uns em lioz que resistem até aos dias de hoje[1].

Segundo Pedro Penteado, durante o reinado de Filipe II a Igreja apresentava os muros fendidos, o teto escorado e ameaçava ruína. Os trabalhos, entretanto realizados, incidiram na capela-mor do templo. Prosseguiram, posteriormente, alargando-se ao corpo da igreja e ao altar de Nossa Senhora. A operação ficou concluída apenas no ano de 1635. Ao arrastar-se por várias décadas, a obra sofreu várias interrupções. Para além disso, não foi realizada com base num plano único e sistemático, razão pela qual se verificaram algumas incoerências arquitectónicas[2]. Ainda durante o reinado de Filipe II, foi renovado o pórtico e construída uma nova escadaria[3].

A pedido da Mesa Administrativa da época, o rei Dom Afonso VI ordenou que se fizessem obras no Santuário. Foram então feitas algumas alterações na estrutura do templo, nomeadamente a ampliação do arco da capela-mor e um novo transepto. Quando terminaram as obras, em 1691, o Santuário ficou com uma configuração em cruz latina, muito semelhante à atual[4].

Em 1717 foram feitas obras na frontaria do templo, construindo-se também um novo acesso ao campanário, que passa agora a ter duas torres[5].

A proteção régia, a propagação da lenda e do culto à Senhora da Nazaré e o fluxo constante de peregrinos, ajudaram à afirmação do Santuário do Sítio como um dos mais importantes no contexto nacional durante a época moderna. Desta forma foi possível o engrandecimento artístico do Santuário, que ocorre com especial vigor durante o século XVIII, com aquisição de obras de grande qualidade e que são ainda hoje referências a nível nacional.

Quando, em finais do século XVII, foi construído o transepto do Santuário, o reitor Padre António Caria, encomendou a firma holandesa Pedro Brukhuis & Cie, painéis de azulejos para a decoração daquele novo espaço. Antes do fim do ano de 1708 o Padre Caria recebe os desenhos e os planos dos azulejos para aprovação da Mesa Administrativa da Real Casa.

No final do ano seguinte, durante o mês outubro, os 6568 azulejos da autoria do importante ceramista holandês Williem Van der Klöet, com os episódios bíblicos de José e de David e duas cenas da história de Jonas, chegam finalmente ao Sítio. Incluindo despesas de transportes e taxas alfandegárias, os azulejos custaram no total à Real Casa a quantia de 610,079 Reis.

O historiador de arte Santos Simões, especialista em azulejaria, afirma na sua obra Carreaux Céramiques Hollandais au Portugal et en Espagne, que o revestimento da igreja de Nossa Senhora da Nazaré, quer pela qualidade artística intrínseca, quer pelo facto da obra estar documentada e assinada, deve ser considerado como o mais importante exemplo da decoração cerâmica holandesa conhecida até ao presente[6].

 

2. “Jonas lançado ao Mar pelos Marinheiros”, azulejos holandeses séc. XVIII, transepto, lado da Epístola.

 

 3. “A baleia lançando Jonas na praia”, azulejos holandeses séc. XVIII, transepto, lado do Evangelho.

 

O trono da Senhora e a capela-mor do Santuário foram, pela sua proximidade com a Sagrada Imagem, alvo de sucessivas obras e remodelações.

Em 1635, era substituído o velho retábulo da capela-mor por outro, provavelmente, com a iconografia do milagre de D. Fuas[7].

Entre 1683 e 1691 a capela-mor foi mais uma vez intervencionada, com novo entalhamento do altar-mor, pelo mestre Manuel Garcia, e douramento da tribuna da Senhora. Em 1758 foi contratado o mestre José Carlos, de Coimbra, para fazer novo douramento da capela-mor, cruzeiro, arcos e zimbório[8].

Para além da invocação à Nossa Senhora da Nazaré, resguardada dentro de uma maquineta inserida na tribuna do altar-mor, na capela-mor do Santuário figuram ainda as imagens de São Brás, São Francisco de Assis, São Domingos e Santo Amaro. Para além de duas telas alusivas ao Milagre e ao Quotidiano do Sítio, Praia e Pederneira no século XVII.

Em 1756 foram colocados na nave 4 novos altares em talha dourada, dedicados a São Francisco de Borja, São Joaquim, Santo António e Santa Ana. Sendo a obra feita por Paulo de Almeida, que era natural do Sítio. O mesmo entalhador fez, em 1778, o trono da Virgem de Nazaré tal como o conhecemos hoje[9].

 

4. Altar da nave, dedicado a São Joaquim, lado da Epistola.

 

             O Santuário apresenta atualmente uma decoração entre o maneirismo e o barroco, onde predomina a talha dourada, de estilo nacional, com referências à iconografia da Virgem e aos principais círios que se deslocavam anualmente ao Sítio (no arco da nave) e à iconografia da Eucaristia.

 

5. Interior do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré.

 

 A Sacristia:

            A Sacristia do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré impressiona pela quantidade e qualidade das obras de arte que a compõem, num espaço relativamente reduzido.

Os seus corredores são cobertos com azulejos azuis e brancos, de figura avulsa, datados de 1714 e da autoria do mestre português António de Oliveira Bernardes. Merece especial destaque um painel alusivo a “Assunção da Virgem”, com símbolos da iconografia mariana, no teto do corredor do lado esquerdo, da autoria do mesmo mestre[10].

 

6. “Assunção da Virgem”, azulejos séc. XVIII, Sacristia do Santuário

 

            Numa escadaria de acesso lateral à sacristia do Santuário existem dois rodapés de azulejos do Juncal, com motivos decorativos, datados de finais do século XVIII[11].      

            Na Sacristia propriamente dita encontramos novamente a presença de azulejos azuis e brancos, do mestre Oliveira Bernardes, com a representação de alguns Apóstolos e quatro painéis alusivos a Vida de Cristo.

            Neste mesmo espaço encontram-se dois conjuntos de pintura seiscentista: são eles o chamado “Ciclo do Arcaz”, da autoria do pintor Luís de Almeida, discípulo de Josefa de Óbidos, cuja temática versa a Lenda da Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Nazaré e, um conjunto de 6 grandes telas alusivas à Paixão de Cristo[12].

            Também na Sacristia do Santuário do Sítio se encontram marcas da devoção régia à Virgem de Nazaré. Assim, no teto podemos observar um escudo nacional, aludindo precisamente à proteção que os monarcas portugueses dispensaram a este Santuário. Sob o altar, duas magnificas esculturas flamengas do século XVI, pertencentes a um Calvário, oferta votiva da Rainha Dona Leonor, aquando da sua visita ao Santuário em setembro de 1520[13].

 

                          

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7. Virgem (Stabat Mater), escultura flamenga do séc. XVI           8. S. João Evangelista, escultura flamenga do séc. XVI.                                                            

                

 

 O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré está classificado, desde 1976, como Imóvel de Interesse Público.

   

[1] BOGA, Padre Mendes, Dom Fuas Roupinho e o Santuário da Nazaré, Porto: s.e., 1985, pp. 30 e 31.

[2] PENTEADO, Pedro, Peregrinos da Memória. O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré 1600 – 1785, Lisboa: Centro de Estudos de História Religiosa da U.C.P, 1998, pp. 148 e 149.

[3] BOGA, Padre Mendes, op. cit., p. 34.

[4] PENTEADO, Pedro, op. cit. pp. 149 e 150.

[5] Idem, ibidem, p. 153.

[6] SIMÕES, J. M. dos Santos, Carreaux Céramiques Hollandais au Portugal et en Espagne, La Haye: Martinus Njhoff, 1959, p. 66.

[7] PENTEADO, Pedro, op. cit., p. 157.

[8] Idem, ibidem, pp. 155 e 156.

[9]. Idem, ibidem, p. 153.

[10] Para saber mais sobre este assunto: BERNARDA, João da, “A Arte Cerâmica no Mosteiro e nos Coutos Alcobacenses”, in. Arte Sacra nos Antigos Coutos de Alcobaça, Alcobaça: IPPAR, 1995, pp.114 a 145.

[11] Para saber mais sobre este assunto: MARTINS, Maria Filomena Silva, Azulejos do Juncal, Alcobaça: Editorial Diferença, 1997.

[12] Para saber mais sobre este assunto: SERRÃO, Vítor, “A Arte da Pintura entre o Gótico Final e o Barroco na Região dos Antigos Coutos de Alcobaça”, in. Arte Sacra nos Antigos Coutos de Alcobaça, Alcobaça: IPPAR, 1995, pp. 85 a 113.

[13] MOREIRA, Rafael, “A importação de obras de arte em Portugal no século XVI”, in. Da Flandres e do Oriente: escultura importada. A colecção Miguel Pinto, Lisboa: IPM, 2002, p. 20.



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